O que é uma chuva de meteoros
Quando a Terra cruza a trilha de poeira deixada por um cometa ou asteroide, grãos do tamanho de areia entram na atmosfera a dezenas de quilômetros por segundo e queimam a cerca de 80 a 100 km de altura. O risco luminoso é o meteoro, ou estrela cadente, embora não tenha nada de estrela. Como as partículas viajam em paralelo, os riscos parecem sair de um ponto do céu, o radiante, que dá nome à chuva.
A cada ano a Terra passa pelas mesmas trilhas nas mesmas datas, por isso o calendário se repete. Basta paciência e um céu escuro: nada de telescópio ou binóculo.
As nove chuvas, uma a uma
A tabela no topo mostra o pico esperado de cada chuva em horário de Brasília e a iluminação da Lua naquela noite. Cada chuva tem a sua página:
- Quadrântidas: começo de janeiro, pico curtíssimo e difícil no hemisfério sul.
- Líridas: fim de abril, uma das chuvas mais antigas registradas.
- Eta Aquáridas: início de maio, poeira do cometa Halley, ótima para o Brasil.
- Perseidas: agosto, a favorita do verão do norte.
- Dracônidas: outubro, fraca na maioria dos anos, com surtos lendários.
- Orionídeas: fim de outubro, meteoros rápidos, também do Halley.
- Leônidas: novembro, a chuva das tempestades históricas.
- Geminídeas: meados de dezembro, a mais intensa do ano.
- Ursídeas: perto do solstício de dezembro, restrita ao norte.
Quais combinam com o Brasil
O território brasileiro vai do hemisfério norte, em Roraima, até o sul temperado, e a maior parte do país fica em latitudes baixas. Isso favorece as chuvas cujo radiante nasce alto na madrugada vista do sul. As Eta Aquáridas e as Geminídeas rendem bem em quase todo o Brasil. As Perseidas, as Orionídeas e as Leônidas aparecem, com radiante mais baixo. Já as Quadrântidas e as Ursídeas são difíceis: o radiante fica perto do horizonte norte ou abaixo dele.
Perto do Equador quase todas são acessíveis, mas as nuvens costumam pesar mais do que a latitude. Se o tempo fechar, tente a noite anterior ou a seguinte.
Como observar e como ler a tabela
Procure um lugar escuro, longe da iluminação pública, deixe a vista se acostumar por 20 a 30 minutos, deite numa cadeira reclinável e olhe para cima, a cerca de 45°, sem se fixar no radiante. A maioria das chuvas rende mais depois da meia-noite, quando a Terra avança de frente para as trilhas (as Dracônidas são a exceção).
A taxa horária zenital, ou ZHR, é o número de meteoros por hora num céu perfeito com o radiante no alto. Na prática você verá menos. A Lua clara apaga os meteoros fracos, por isso a tabela mostra a iluminação lunar: quanto menor, melhor. Para entender o ciclo, veja as fases da Lua, e para outros espetáculos do céu, os eclipses. Fazer um pedido ao ver uma estrela cadente é só uma tradição simpática, sem garantia nenhuma.
Perguntas frequentes
Preciso de telescópio para ver uma chuva de meteoros?
Não. Os olhos são o melhor instrumento, porque o campo de visão é amplo. Binóculos e telescópios mostram uma área pequena demais.
Estrela cadente é uma estrela?
Não. É um grão de poeira que queima na atmosfera, a uns 80 a 100 km de altura, e some em menos de um segundo.
Qual é a melhor hora para observar?
Em geral, depois da meia-noite e antes do amanhecer. A exceção são as Dracônidas, melhores à noite, e as Geminídeas, boas desde o começo da noite.